As Sete Igrejas do Apocalipse — Uma Mensagem para a Igreja de Hoje.
As cartas às sete igrejas do Apocalipse, registradas nos capítulos 2 e 3, foram dirigidas a igrejas reais da Ásia Menor, mas apresentam princípios permanentes para a Igreja de Cristo. Em cada carta, Cristo demonstra conhecer profundamente sua Igreja: Ele conhece suas obras, sua fidelidade, suas lutas, seus pecados e suas necessidades. As sete igrejas também podem ser vistas como diferentes retratos espirituais que continuam desafiando a Igreja em todos os tempos.
1. Éfeso — A igreja que abandonou o primeiro amor (Ap 2.1-7)
Éfeso era uma igreja trabalhadora, perseverante e doutrinariamente zelosa. Cristo reconhece sua capacidade de discernir falsos mestres e sua fidelidade em meio às provações. Entretanto, havia um problema grave: ela havia abandonado o primeiro amor. A ortodoxia permanecia, mas o fervor do relacionamento com Cristo havia diminuído. Por isso, Jesus chama a igreja a lembrar de onde havia caído, arrepender-se e voltar às primeiras obras.
2. Esmirna — A igreja fiel em meio à tribulação (Ap 2.8-11)
Esmirna representa uma igreja pobre aos olhos do mundo, mas rica diante de Deus. Cristo conhece suas tribulações, perseguições e sofrimentos. Mesmo diante da ameaça de prisão e morte, a igreja é chamada a permanecer fiel. Não recebe uma repreensão, mas uma palavra de encorajamento: “Sê fiel até à morte”. A recompensa prometida é a coroa da vida e a vitória sobre a segunda morte.
3. Pérgamo — A igreja fiel, mas tolerante com o erro (Ap 2.12-17)
Pérgamo vivia em um ambiente profundamente hostil à fé cristã. Mesmo assim, alguns permaneceram firmes no nome de Cristo. Entretanto, a igreja tolerava pessoas que ensinavam doutrinas que conduziam à idolatria e à imoralidade. Cristo, portanto, condena sua tolerância ao falso ensino e ao pecado. A ordem é clara: arrepender-se. A fidelidade cristã exige não apenas confessar a verdade, mas também rejeitar aquilo que contradiz a Palavra de Deus.
4. Tiatira — A igreja que tolerava o pecado (Ap2.18-29)
Tiatira recebe um elogio significativo: suas últimas obras eram maiores que as primeiras. Havia amor, fé, serviço e perseverança. Porém, Cristo a repreende porque tolerava uma influência que promovia pecado e imoralidade. A igreja precisava aprender que amor e tolerância não podem significar conivência com o pecado. Cristo adverte, chama ao arrependimento e promete autoridade e recompensa aos que permanecerem fiéis.
5. Sardes — A igreja que tinha nome de viva, mas estava morta (Ap 3.1-6)
Sardes possuía reputação de estar viva, mas Cristo conhecia sua verdadeira condição espiritual. Suas aparências não correspondiam à realidade. Jesus ordena: “Sê vigilante e consolida o resto”. A igreja precisava lembrar o que havia recebido, guardar a Palavra e arrepender-se. Ainda havia alguns fiéis, mostrando que Cristo preserva os seus mesmo em períodos de grande decadência espiritual.
6. Filadélfia — A igreja pequena, mas fiel (Ap 3.7-13)
Filadélfia tinha pouca força, mas guardava a Palavra de Cristo e não negava o seu nome. Não recebe repreensão. Cristo coloca diante dela uma porta aberta e promete sustentá-la em meio às provações. Sua principal responsabilidade era permanecer firme: “Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. A grandeza da igreja não está em seus recursos, mas em sua fidelidade ao Senhor.
7. Laodiceia — A igreja morna e autossuficiente (Ap 3.14-22)
Laodiceia é a mais severamente repreendida. Considerava-se rica, próspera e autossuficiente, mas Cristo revela sua verdadeira condição: miserável, pobre, cega e nua. Sua principal doença era a mornidão espiritual. Ela havia perdido a consciência de sua necessidade de Cristo. Jesus, entretanto, ainda a chama ao arrependimento e oferece comunhão àquele que ouvir sua voz e abrir a porta.
E com qual dessas igrejas a Igreja Presbiteriana Metropolitana do STIEP se parece? Essa pergunta precisa ser feita com humildade, temor e honestidade espiritual. Não devemos simplesmente escolher a igreja que mais nos agrada, mas permitir que a Palavra de Cristo examine nossa realidade.
Considerando os desafios enfrentados pela Igreja Presbiteriana Metropolitana do STIEP — uma igreja que possui história, doutrina, culto e serviço cristão, mas que também enfrenta desafios relacionados à revitalização, participação dos membros, discipulado, ministérios e mobilização da igreja — talvez seja necessário reconhecer traços de mais de uma das sete igrejas.
Há algo de Éfeso quando existe zelo doutrinário e trabalho, mas precisamos perguntar se o nosso primeiro amor por Cristo continua vivo.
Há algo de Sardes quando existe uma história e uma reputação, mas precisamos avaliar se a vitalidade espiritual do presente corresponde àquilo que fomos no passado.
Há também uma advertência de Laodiceia sempre que nossa estrutura, tradição ou realizações nos fazem pensar que estamos bem, quando, na verdade, precisamos desesperadamente da graça de Cristo.
Entretanto, o objetivo dessa comparação não é produzir culpa, mas arrependimento, renovação e esperança. Cristo não abandonou nenhuma dessas igrejas sem antes falar com elas. Ele chama sua Igreja a ouvir sua voz.
Portanto, a pergunta mais importante não é simplesmente: “Com qual igreja somos parecidos?”, mas: “O que Cristo está dizendo à Igreja Presbiteriana Metropolitana do STIEP hoje?”
Que o Senhor nos conceda graça para lembrar, arrepender-nos, voltar às primeiras obras, guardar a Palavra, abandonar toda tolerância ao pecado e permanecer fiéis. E que possamos ouvir a voz daquele que diz: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”
No amor de Cristo, Rev. Márcio Leão.